IBIÚNA – GESTÃO DA SAÚDE PRECISA MELHORAR A QUALIDADE DOS SERVIÇOS

Com cirurgia marcada para este mês, decidi acreditar no sistema de Saúde de Ibiúna e realizar aqui mesmo os exames requeridos pelo hospital de Sorocaba.

Fiz a coleta de sangue há 12 dias, e avisei que a cirurgia já estava marcada e que precisava dos resultados para apresentar para o cardiologista, com outro exame já feito no Centro de Especialidades, sem o que a intervenção não poderá ser realizada.

Resultado: a empresa contratada pela Prefeitura com laboratórios em Itapetininga e São Roque enviou o resultado do exame de coagulograma, mas não o de hemograma completo.

O cardiologista estava marcado para esta sexta-feira, dia 9.2. Então, precisava do resultado no mínimo até a manhã desse dia. Fui buscar o resultado hoje (8.2) no Posto Central, mas ainda não estava pronto.

Fui avisado que o resultado demora de 15 a 20 dias, mesmo tendo chamado a atenção porque a cirurgia já está marcada.

Aviso, para que não me entendam mal, que a coleta foi feita dentro dos padrões aos muitos exames que já fiz anteriormente.

Como o resultado não saiu, fui ao Centro de Especialidades e pedi para remarcarem a consulta com o cardiologista e isso foi feito. A atendente passou a minha vaga para outra pessoa, o que foi uma atitude muito positiva.

Quando estava lá recebi uma ligação que teria que fazer uma recoleta de sangue. A recoleta de sangue é relativamente comum no universo dos laboratórios de análises. Mas, como o resultado de um exame dura de 15 a 20 dias, já não daria mais tempo para ser utilizado.

Resumindo, o laboratório demorou 12 dias para avisar que precisava de uma recoleta. Por isso, irei fazer exame, um hemograma completo, em laboratório particular, que deve ficar pronto em dois dias ou três no máximo.

Mas apurei que não é somente o meu caso em que a recoleta foi pedida, isso acontece com diversas pessoas e os gestores desse serviço deveriam buscar a causa dessa reincidência, que se traduz em desconforto para os pacientes, bem como pode prejudicar um procedimento médico pelo sistema SUS no Estado de São Paulo que é extremamente demorado.

Quem acompanha o funcionamento do sistema de saúde público de Ibiúna já perdeu a conta do número de laboratórios que já foram contratados em vários governos municipais, alguns dos quais apontaram falta de pagamento pelos serviços prestados e deixaram de dar atendimento.

O que parece estar em jogo é a qualidade dos serviços prestados sobretudo a uma população carente. E isso depende, mais uma vez, de uma gestão eficiente!

PROBLEMA ESTÁ NA GESTÃO

O sistema público de saúde de Ibiúna continua lamentável, ainda que possa ter melhorado em alguns aspectos, em comparação com a gestão feita no governo anterior, talvez a mais criticada de todos os tempos.

Ressalvo com veemência que isso não ocorre por causa dos servidores e funcionários que atuam no Hospital Municipal, no Centro de Especialidades, no Posto Central ou na rede básica do município. Em geral, têm sido dedicados, atenciosos e procuram dar o melhor atendimento que podem, a despeito dos recursos que lhe são disponíveis.

A raiz dos problemas observados está, portanto, na gestão que compete ao Executivo resolver.

Recentemente, o Posto de Saúde Dr. Alcy Bandeira, também conhecido como Posto Central, na Avenida São Sebastião, foi reinaugurado com pompa e circunstância, como sempre com a presença de funcionários públicos e comissionados de todos os escalões, convidados ad hoc.

E ali estava também o secretário de Desenvolvimento Urbano que iniciou as obras de ampliação do posto quando era prefeito e a obra ficou paralisada por vários anos. É verdade que abriram um espaço maior para abrigar a farmácia, mas os pacientes vivem reclamando de falta de medicamentos, sobretudo aqueles de alto custo.

É bom que os prédios públicos sejam reformados, ampliados ou mesmo refeitos, mas melhor do que isso é dotá-los efetivamente de uma funcionalidade qualitativa. O povo merece tanto respeito quanto conforto. (C.R.)

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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