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COTOVELADA EM SÃO ROQUE SEGUE A LÓGICA DO CRIME E DA VIOLÊNCIA

“Sempre imaginei que a adaptação fosse no sentido de uma evolução positiva. Mas naquele dia compreendi que, se a gente caminhar em direção ao extermínio da espécie, nós vamos nos adaptar, vamos viver até o fim, matar o último ser humano e nos suicidar depois, adaptados à lógica do crime e da violência.” Estas palavras são do mais famoso fotógrafo do mundo, o brasileiro Sebastião Salvado, e foram registradas em uma entrevista que ele concedeu à revista Playboy, em dezembro de 1997. Referia-se a uma cena cruel da condição humana que tinha testemunhado no Zaire, África. Elas surgem agora à lembrança por conta de um ato cruel, bárbaro e covarde acontecido no sábado passado no vizinho município de São Roque.

Fernanda Regina Cesar Santiago, 30, estava na calçada em frente à saída do São Roque Clube, onde se comemorava a festa de aniversário da cidade de São Roque, localizada na região de Sorocaba, interior de São Paulo. Ali também estava Anderson de Oliveira, 35 anos. Ela se aproxima dele que está com um copo de cerveja na mão, diz alguma coisa, e Anderson, numa atitude tão estúpida quanto inesperada, deu uma forte cotovelada na cabeça de Fernanda que caiu desacordada na calçada contra a qual bateu a cabeça. Anderson manteve-se frio, rindo e continuou a beber, como se nada tivesse acontecido.

Fernanda foi levada à Santa Casa de São Roque e, em seguida, transferida para o Hospital Regional de Sorocaba onde ficou internada na UTI com traumatismo craniano. Ontem (22), ela deixou a UTI e foi para um quarto e seu estado é considerado muito delicado pelos médicos. Se um coágulo formado em seu cérebro não for reabsorvido pelo seu organismo, não está descartada a possibilidade da realização de uma cirurgia para removê-lo.

Preso no dia 19, Anderson deverá ser indiciado por tentativa de homicídio. O irmão de Fernanda, Eduardo Cezar, 34, disse: “É um absurdo o que ele fez com minha irmã. Ninguém esperava uma reação tão violenta como aquela. Foi uma covardia.”

Além da observação de Salgado, que percorreu os cinco continentes para registrar com suas lentes incríveis cenas da vida real e testemunhou cenas de uma extrema desumanidade, é preciso dizer, mais uma vez, que a sociedade está doente e que a bipolaridade antagonista entre Eros (força da vida) e Tanatos (força da morte) apregoada pelo dr. Sigmund Freud continua em vigor nas cenas mais corriqueiras como as que acontecem, por exemplo, dentro ou na porta de clubes, de bares, ou em qualquer lugar. Há uma psicopatologia social em curso e que parece se agravar cada vez mais.

A sociedade reclama – com razão – da vasta impunidade e das falhas da Justiça, os governantes estão despreparados para oferecer segurança à sociedade e vivem prometendo que as coisas vão melhorar, como agora o fazem os candidatos a cargos executivos, mas devemos ter em mente que viver é perigoso, especialmente aos jovens que procuram se divertir, e precisam disso, e, não raro, se deparam com a tanatologia ou a maldade em forma de uma cotovelada, de um tiro ou de uma facada.

Na sequência de sua resposta, Sebastião Salgado disse mais: “A nossa história, isto que a gente chama de civilização, no fundo é a vida em comunidade – e hoje me pergunto se nós não estamos caminhando em direção à desintegração da nossa vida comunitária.” (C.R.)

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