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AJOELHEI-ME NO MEIO DE UM BRAÇO SECO DA ITUPARARANGA, ONDE A PROFUNDIDADE ERA MAIS DE 5 METROS

Esta foto foi tirada hoje (15) à tarde, exatamente do meio de um braço da represa Itupararanga, no bairro da Cachoeira, município de Ibiúna, 70 km a sudoeste da Capital. Nesse lugar, antes da prolongada estiagem em várias regiões do Estado de São Paulo, a profundidade era mais de 5 metros. Essa proeza talvez só terá sido possível antes, por volta de 1912, quando a represa começou a ser formada e suas águas se espalharam gradualmente em várias direções. Hoje abastece as populações de Ibiúna, Sorocaba, São Roque, Votorantim e outras cidades vizinhas.

Agora seu leito ou está esturricado ou coberto pela vegetação rasteira. Fiquei de joelhos nesse ponto, depois que um lagarto, tomando banho de sol, fugiu com minha aproximação. Antes aqui moravam os peixes. Para onde se mudaram?

Esse lugar conheço há décadas como a palma da minha emoção. Durante anos foi ali que pesquei com meu pai e meu irmão. Lembro-me que era preciso andar beirando o mato porque a água a ele se misturava. Olhando para esse passado de boas lembranças, bate uma vontade de rever o que está faltando, algo precioso e que compunha o cenário maravilhoso e desapareceu, até quando?

Então, aqui desse lugar, perguntei ao vento o que ele tinha para responder. “Para onde foram essas águas?” E o vento voou para o céu. Será essa sua resposta? Mas quero revelar o que senti, ao voltar pela terceira vez consecutiva, desde agosto, para ver o que está acontecendo com suas águas.

“Assim, de olhar, dá vontade de chorar e de ver as lágrimas transformarem-se em tromba d’água para alimentar rapidamente o vazio das águas, que faz falta como leite para a criança. O que não está aqui, as águas, para onde foram ou onde estarão escondidas? Ou a Natureza terá enlouquecido para mostrar aos homens o seu tamanho real sem ela? Se esse fenômeno passar do limite [ninguém ainda sabe qual é exatamente], podemos todos nos transformar em irmãos solidários ou cains e abéis se digladiando, porque a falta de água é mais terrível do que a falta de comida. Em São Paulo, que tristeza!, grande parte da população sofre com o racionamento ou bebe água vinda do barro, ou quase isso. No interior já existem conflitos por falta de água. Esse fenômeno é mais um fato cuja razão é mantida em segredo, bem guardado pela Natureza que, ao longo da história, sempre pregou peças à humanidade, muitas delas catastróficas, causando a necessidade do surgimento de deuses. Por isso, além de ter calma nessas horas, é preciso torcer para que ela [a Natureza] complete logo seu ciclo maléfico, a fim de que inicie em breve o ciclo benevolente, o que será muito bem-vindo.” (C.R.)

 

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