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OPINIÃO – GOVERNO ARRUMA DINHEIRO COM AUMENTO DE IMPOSTOS; POPULAÇÃO, FAZENDO DÍVIDAS

É fácil governar o Brasil, um país marcado por altos índices de corrupção, como este mais atual da Operação Lava Jato, em síntese, uma surrupiada de bilhões de dólares da Petrobrás, recursos que podiam ir para a educação, saúde, abastecimento de água e de energia, para citar alguns exemplos. Diferente da casa de um trabalhador que tem que se virar com o que recebe no fim de cada mês [quando tem emprego] e se sente sufocado para honrar seus compromissos, a autoridade, precisando de dinheiro, simplesmente determina o aumento dos impostos, dos combustíveis, e virem-se os prejudicados, milhões de brasileiros, muitos dos quais sobrevivem na linha da miséria ou abaixo dela. Por isso, a violência no País tenderá a crescer, assim como as injustiças.

O dinheirama gasto com os estádios e agora com a vila olímpica no Rio de Janeiro, mas, sobretudo, o que vai pelo ralo aos milhões de reais pela malandragem de políticos mancomunados com empresários, que abrem conta no exterior e vivem como anjos da inocência. A imoralidade pública é um vício enraizado na cultura política brasileira. Os técnicos do governo não enxergam pessoas, enxergam equações econômicas e, mais uma vez, que se virem e que morram nas filas dos hospitais ou em seus corredores, jogados no chão.

Agora sobe ao palco um cavalheiro com rosto rosado, bem penteado e bem vestido, no padrão do executivo imerso no modelo engendrado pela elite que atua tanto na esfera privada quanto pública. Joaquim Levy é um cavalheiro nascido no Rio de Janeiro com 54 anos. Tem qualificações: formou-se engenheiro naval e doutorou-se em economia pela Universidade de Chicago. No Bradesco, igualmente ocupou uma função de lida com densos montantes de dinheiro, na posição de diretor-superintendente do Bradesco Asset Management, que administra fundos de investimento. Ele foi para o ministério indicado pelo presidente da instituição, Luiz Carlos Trabuco, que fez uma brilhante e longa carreira na casa, chegando ao seu topo ainda relativamente jovem. Dilma o queria como ministro da Fazenda, mas jamais ele faria essa troca, indicou Levy.

Com seu rosto estampado nas telas das emissoras de TV, jornais e revistas tem emitido sinais de que suas intenções serão rigidamente levadas em prática. Até agora está com sua autoridade intocada, ainda que tenha deixado um grupo de empresários esperando em vão na Fiesp, que o esperavam para uma reunião. As elites se entendem, mas às vezes ocorrem alguns deslizes. Os fatos do mundo são cada vez mais incertos e os homens mudam de jeito e envelhecem.

Tudo isso foi escrito por nos lembrarmos de uma frase definitiva atribuída a Fiódor Dostoiévesky, o escritor russo: “A autoridade só existe se faz sofrer.” Os poderosos do governo tocam essa música mesmo de modo inconsciente porque é assim que o poder se exerce historicamente. Depois de uma fase em que os homens viveram em comunidade pura, descobriu-se que quem tinha mais força poderia tomar o que pertencia aos outros, inclusive suas mulheres. E, assim, sumária e grosseiramente teve início a civilização baseada na propriedade privada.

Os governos e o próprio Estado refletem uma situação instituída do poder e, coerentemente, representa os mais poderosos, de um lado, vendo a populaça como massa de manobra, como quantidade ignóbil, como manada que corre para um lado e para o outro, quando ouve um estrondo, perdida, subjugada e, se for preciso, o aparato de repressão está pronto para atirar balas de borracha, dar cacetadas, lançar bombas de gás, seguindo ordens superiores como os títires seguem as linhas que os movimentam. Alguns até podem sentir conflito interno por fazer isso, mas precisam cumprir ordens.

Por que Dilma prometeu um Brasil novo (supostamente melhor, para os brasileiros) nos embates políticos e nos comícios do seu partido e agora muda de conduta com medidas que vão prejudicar exatamente a maioria daqueles que lhe deram os votos, tirante, é claro, os pobres nordestinos mantidos consolados pelas bolsas-família um sucedâneo cruel do emprego e do trabalho que é uma das atividades mais importante para a vida das pessoas, tanto físicas quanto mentais.

Para quem não sabe, ainda é tempo de dizer que Brasília, leia-se o Palácio do Planalto, fica muito longe do Brasil real. Nos palácios e residências com ar condicionados com todas as pompas e serviços previstos para proporcionar o máximo de tranquilidade às personalidades poderosas, com salários astronômicos em setores que nem se imagina, pois a legislação nos faz deparar com pessoas que recebem milhares de cruzeiros como salário engordado com tempo de serviço, cursos realizados, especialização, etc. Isto tudo ocorre longe do Brasil. Mas o novo ministro da Fazenda mostra-se preocupado com o salário desemprego (é certo que isso precisa ser revisto, mas as aposentadorias também precisam ser revistas, porque uma infinidade de aposentados – graças, por exemplo, ao período sombrio e nefasto em que o Brasil teve Fernando Collor como presidente, quando expurgou a inflação do cálculo das aposentadorias – que não conseguem pagar nem sequer os remédios que precisam usar.]

Nada, portanto, há de novo no Brasil. Ah!, sim. Há rostos novos nos gabinetes planaltinos, ministros como o das Minas e Energia que parece entender nada do assunto. Há alguns dias Ricardo Boechat, âncora do Jornal da Band, logo após ouvi-lo falar sobre o apagão, fez um comentário irônico como se tivesse ficado com vontade de rir do conteúdo que ouvira.

P.S.: Esqueci de mencionar que a economia brasileira está em compasso vegetativo, como uma locomotiva que derrapa sobre os trilhos por não suportar levar adiante o peso que carrega.

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Carlos Rossini é editor

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