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VOLTA ÀS AULAS – PROFESSORES PODEM FAZER A DIFERENÇA COM SEU MODO DE AGIR

E, aí, queridos mestres, de volta às aulas o que vocês vão fazer nas salas de aula? Têm algum plano secreto em mente, tipo ajudar os alunos a se descobrir, a se expressar e a se libertar? Todos sabemos ser muito difícil produzir uma “mudança global e profunda” da sociedade e da escola, mas a maneira de agir dos professores, a forma como se comunicam e se relacionam com os alunos e seus pais, a forma como estabelecem seus objetivos de trabalho e o modo como apresentam os conteúdos das disciplinas – isso tudo pode fazer a diferença.

Na verdade, essa é uma forma, ao longo do tempo, para contribuir efetivamente para que haja mudança e justiça social, melhorar as oportunidades de realização integral dos seres humanos. Todos sabemos que a escola segue o mesmo script de ensino, como se todos os alunos fossem iguais, quando são singulares e diferentes entre si, e é exatamente por isso que o professor é um personagem decisivo: sua maneira de falar, de gesticular, de apresentar ou interpretar um conhecimento, de ouvir, enfim, seu modo de trabalhar. O que faz a diferença, além do que é determinado pelos organismos oficiais de carga horárias e conteúdos programáticos, é o encantamento vital e interpretativo do professor como mestre que inspira para a curiosidade de aprender das crianças.

Perdão, nós não estamos escrevendo aqui para aqueles que esperam o holerite no fim do mês, mas para quem assumiu uma função sociocultural sagrada de lidar com a formação presente e futura de muitas vidas. Essa é a profissão do amor no seu sentido mais amplo e, por isso, mesmo deve ser respeitada e valorizada como formadora dos esteios da sociedade que se define pela existência de pessoas. Ensinar não é somente “internalizar” na cabeça das crianças informações e conhecimentos, mas despertar nelas o sentimento de que “algo é possível”. É possível descobrir, inventar e criar um novo mundo fora da cultura em que todos nós estamos profundamente condicionados.

Deixo aqui o meu testemunho de gratidão a todos os meus caríssimos professores que me despertaram a alegria de ser curioso e de querer aprender. Foram, todos eles, fantásticos mestres que em nenhum momento me tolheram; ao contrário, me incentivaram a seguir meu caminho de descobertas. São todos seres abençoados! Lembro-me deles com alguma dificuldade mnemônica, mas como se diz no Oriente: “Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece”, na forma do que possibilitou ao aluno a aprender e a discernir o que está diante de si agora como desafio e que espera por uma resposta.

Havia um homem que tinha que atravessar de uma margem para a outra de um rio. Trazia consigo um lobo, uma ovelha e couve. Isso criou para ele uma situação embaraçosa. Seu barco era pequeno e só cabia um desses elementos por vez. Então, se levasse a couve, o lobo poderia comer a ovelha; se levasse o lobo, a ovelha poderia comer a couve. Se levasse a ovelha, o lobo não comeria a couve, mas quando ele voltasse para buscar a couve ou a ovelha apenas ia transferir o problema para a outra margem, pois lá ficariam ou o lobo e a ovelha, a ovelha e a couve.

Parece um problema insolúvel e de fato será se somente forem considerados os dados que foram disponibilizados como informação. Por exemplo, se o homem usasse uma simples corda poderia amarrar o lobo e a ovelha, a fim de que um não comesse o outro, assim como a ovelha, a couve.

Na história do Brasil e dos Estados Unidos, vimos, afinal, que os índios não eram maus e que não mereciam ser dizimados pelos exércitos ou colonizadores armados, mas uma ideologia que acabamos vendo nos filmes de Hollywood nos mostravam exatamente isso: não eram os índios os assassinos, mas os brancos que estavam interessados em suas terras.

Não é o povo que é mau, ignorante, indigno, desprezível, mas aqueles que produziram essa imagem do povo e o procuram manter nas sombras da ignorância para continuar dominando o mundo e desfrutando de seus paraísos particulares terrenos.

Professor é agente de mudança social, sim. Portanto, precisa ter consciência do seu papel político na transformação da realidade e, para isso, precisa se preparar e buscar novos conhecimentos críticos continuamente. É lógico que enfrentará o pensamento reacionário, conservador, mas a vida não é dialética?

 

Carlos Rossini é editor de vitrine online

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