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CARLOS ROSSINI ESCREVE: ROBÔS VÃO SUBSTITUIR PROFESSORAS?

Ela não menstrua, não engravida, não se alimenta, não adoece, não falta ao trabalho, não recebe gratificações, não faz greve…Estamos falando de Xiaomei, uma andróide [autômato com forma humana], que se tornou conhecida na última terça-feira (3), em todo o mundo, talvez como primeira professora-robô do futuro.

Segundo o noticiário internacional, a máquina de ensinar foi desenvolvida em trinta dias e deu uma aula demonstrativa na Universidade Jiujiang, na província de Jiangxi. Líderados pelo professor Zhang Guangshun, os cientistas produziram um artefato que “reproduz conteúdos didáticos e é capaz de responder a algumas perguntas dos alunos”.

ROBO 3A “professora” Xiaomei, um prodígio da robótica, pode repetir cada lição incansavelmente, assim como prosseguir a aula normalmente, caso um aluno aperte a tecla “continue”, tão simples quanto dizer “olá!”

Se o projeto vingar, o que tecnicamente é possível, somente não se sabe quanto tempo será exigido, podemos imaginar que meio bilhão de chineses serão convocados para uma gigantesca fábrica de professores-robôs para serem exportados para todos os países, já com a devida adaptação de linguagem, cultura e de currículos completos.

Se por acaso o Japão e os Estados Unidos quiserem entrar em competição com a China nesse mercado, precisarão cuidar de uma questão sempre fundamental no sistema capitalista: o preço. O chinês, a considerar o presente da história econômica, deverá ser imbatível, já que desenvolveu o padrão de remuneração de servidão desumana.

Mas, não nos iludamos, haverá uma infinidade de obstáculos a serem superados no desenvolvimento de um projeto dessa natureza que torna a máquina o ser dominante no planeta, podendo, como a ficção já demonstrou na literatura e em filmes, tornar os humano seus escravos. Nesse caso, se um aluno errar nas respostas que castigo receberá ou será encaminhado para uma psicopedagoga-robô? Continuará sendo necessário levantar a mão para ir ao banheiro?

O rosto Xiaomei é simpático, com traços delicados e grandes olhos negros. Um lenço modernoso envolve seu pescoço fino. Vestida com jaleco branco, não lhe negaram pelo menos um símbolo de inegável feminilidade, pois demonstra possuir seios, ainda que possivelmente feitos de fibra de carbono ou um simples PVC melhorado. Não podemos comentar algo a respeito de sua tonalidade vocal, mesmo por que ela, talvez, se expresse no dificílimo mandarim.

Poderíamos deixar de defender aqui o primado da emoção, uma prerrogativa humana, a importância da liberdade de expressão, assim como da criatividade como suprema prova do existir humano, da necessidade de carinho, de afeto, de amor, no processo de ensino e aprendizagem de nossas crianças, adolescentes e jovens adultos?

Em compensação, poderíamos supor que teríamos cursos e aulas que atingiriam a perfeição pedagógica, já que tudo aconteceria sob total controle da ciência e da tecnologia, consideradas novos deuses do futuro, mesmo sabendo que falhas podem existir no processo de tudo que é relativo? Ou haverá um segredo por trás dessa história? As aulas robóticas não seriam preâmbulos de futuros games, já que nos tornamos, quase sem perceber, servos da tela plana, não importa seu tamanho? Ou ainda: será o projeto dos cientistas chineses um passo para a concretização de uma utopia a nos mostrar que nós já estamos submetidos e controlados em demasia pelas máquinas?

Afinal, que consciência temos de nossa própria existência, do que somos e para aonde vamos? E o que dizer de nossa quase absoluta falta de capacidade de refletir sobre a realidade, tanto a exterior, do mundo, quanto dentro de nosso interior, no plano da subjetividade. E mais: e esse medo de quase tudo, as incertezas de cada instante, a falta de sentido em nossas vidas privadas e solitárias.

Pois é: até dá para provocar nossa ideia de futurismo com essa coisa séria que os chineses acabam de experimentar.

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