IBIÚNA – PREFEITO PEDE “COMPREENSÃO” PELO ATENDIMENTO NO HOSPITAL MUNICIPAL

As queixas da população que procura o Hospital Municipal de Ibiúna aumentaram notavelmente nos últimos dias. Entre elas figuram longas esperas pelo atendimento médico, como foi o caso de familiares de uma senhora de 91 anos, que teria esperado por várias horas para ser examinada, e mesmo falta de médicos especialistas. Alguns acabam por buscar atendimento em outras cidades vizinhas, como São Roque e Piedade.

Ao completar o primeiro ano do seu governo, o prefeito de Ibiúna, Paulo Sasaki, em vídeo postado no dia 1º de janeiro, pede “compreensão” e “paciência” à população visando esclarecer a situação. O chefe do Executivo atribui o problema ao grande aumento de demanda decorrente da gripe influenza H3N2, que estaria “lotando” também outros hospitais da região.

Ao seu lado, na gravação, aparece o secretário da Saúde, farmacêutico Valdir Messias de Almeida. Este chega a dizer que a gripe H3N2 “não é letal”, o que não corresponde com os fatos já conhecidos. São Roque, por exemplo, comunicou oficialmente que um homem de 83 anos faleceu na Santa Casa por esse vírus no dia 22 de dezembro. O médico neurocirurgião Júlio Pereira, em vídeo no Facebook, informou que somente no mês de dezembro houve 33 óbitos pelo H3N2 no Brasil. Ao que tudo indica, o impacto desse vírus nas pessoas depende das condições específicas de cada paciente, como faixa etária, doenças pré-existentes, defesas imunológicas, etc.

Almeida também declarou que estava sendo feito um esforço para aumentar a equipe de atendimento, mas que “médicos” nesse período de festas viajam [alguns saem de férias], o que igualmente não justifica a situação vivida pela população, visto que já que se sabe que nesse período do ano é preciso garantir a presença suficiente de médicos no atendimento. Além dos profissionais da saúde concursados, a Prefeitura repassa mensalmente à IGATS R$ 1,5 milhão, empresa com sede em Osasco, para remuneração de médicos e demais profissionais da saúde que fornece ao hospital.

O secretário acrescentou ainda que a população de Ibiúna “triplicou” neste período de festas, o que terá também contribuído pelo aumento da demanda de serviços no hospital. Nesse caso, se esse dado pudesse ser confirmado, a população de Ibiúna teria saltado de aproximadamente 80 mil habitantes para 240 mil.

Como esse fenômeno é historicamente previsível, o aumento significativo a população flutuante na cidade, esta é uma razão para reforçar a estrutura de atendimento que, obviamente, significa aumento do custo operacional, que requer uma decisão de ordem administrativo-financeira.

QUEIXAS

No dia 14 de dezembro, vitrine online encaminhou à Assessoria de Imprensa da Prefeitura 9 queixas feitas por pacientes e/ou seus familiares: entre elas falta de médico ortopedista, falta de cadeira de rodas para servir a pessoas com dificuldade de locomoção, e também inundação na Casa da Gestante, que requereu a transferência das pacientes [logo em seguida o prefeito anunciou a reforma do telhado do hospital].

Eis a resposta que recebemos: “De acordo com o secretário de Saúde de Ibiúna, o Hospital Municipal conta com cadeiras de rodas, que, segundo o mesmo não são novas, mas com bom funcionamento, com mais 20 novas, que já foram adquiridas, após 8 anos (sic), e com previsão de entrega até o final da próxima semana.

Em relação aos ortopedistas, são quatro doutores especializados em ortopedia e concursados, que atendem no Hospital Municipal.” (C.R.)

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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