“ESTÁ NA HORA DE ACORDAR E ABRIR OS OLHOS, IBIÚNA”

Por que um jornalista da grande imprensa, experiente, independente, que resolveu mudar-se para Ibiúna e se apaixonou pela cidade, escreveria o story: “Está na hora de acordar e abrir os olhos, Ibiúna.”

Mais: por que imediatamente tantas pessoas, boa parte delas que raramente saem do anonimato, visualizariam essa manifestação notoriamente genérica, abstrata e metafórica, como se verificou?

Moro em São Roque, mas sou ibiunense. O que está acontecendo aí?”, perguntou uma mulher.

A primeira tentativa de esclarecer esse fenômeno parece demonstrar ter havido uma sintonia intuitiva entre o profissional de imprensa e a sensibilidade silenciosa da população. Ou seja: houve convergência entre a história publicada e a sua conexão com a percepção da realidade atomizada.

A impressão é que, de alguma forma, muitas pessoas estão atentas ao que estão observando na cidade como objeto de atenção política e administrativa. Em suma: estamos todos sob um novo comando governamental e na expectativa de que coisas boas comecem a acontecer nos âmbitos da saúde pública, das estradas, da segurança, para citar três tópicos de grande relevância comunitária.

Esse fenômeno que pede para que abramos os olhos está diretamente relacionado com uma das mais importantes competências de todos os homens públicos: a de se comunicar de modo transparente com os cidadãos. O que não está acontecendo resolutamente ou ainda não começou a acontecer de modo congruente.

É preciso revelar agora: a frase criada e cristalizada num brevíssimo story resultou de uma contínua indagação às pessoas, tanto integrantes do ambiente interno [servidores, comissionados, concursados] e populares “escutados” nos mais diversos locais: supermercados, lojas, ruas, praças, espaços públicos, etc.

Em suma, o número de pessoas ouvidas já poderia sustentar uma pesquisa de opinião pública, como uma amostragem significativa, razão por que é uma referência jornalística considerável.

Por isso mesmo, esta escrita poderia ser lida e refletida pelos agentes do poder público como uma contribuição para que consigam acertar os passos que, aparentemente, estão parecidos com aqueles que se verificam na caminhada de cambaios.

Se isso for compreendido com a mesma humildade das intenções com que foram escritas estas palavras, o atual governo começaria sem mais tardança mostrar resultados práticos perante os olhos da população.

Sim. Sabemos à exaustão que “dias melhores virão”, mas os dias estão passando. Só falta lhes acrescentar as melhorias.

Acreditem, as autoridades, sua imagem perante a opinião pública está sofrendo um desgaste impressionante para quem tem ouvidos abertos a ouvir os sentimentos do povo.

Esta reflexão não podia findar sem o desejo que os atuais governantes de Ibiúna consigam, a partir de agora e passado o primeiro ano de gestão, colocar em prática com sucesso todos os seus planos executivos certamente bem-intencionados. (C.R.)

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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