POR QUE OS POLÍTICOS NÃO SE IMPORTAM COM O QUE OS OUTROS PENSAM

“Lo que opinen los demás me da igual.”

O filósofo, cientista político, escritor e ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro avaliou que a essa foi melhor declaração já feita por um diretor de SAC [Serviço de Atendimento ao Cliente] de uma empresa.

Traduzida para o português, essa expressão pode ter os seguintes significados:

“O que os outros opinam, para mim é igual.” [esta é a forma mais direta]

“Eu não me importo com o que os outros pensam.”

“Tanto  me faz o que os outros  pensam.”

Em suma, a frase indica a indiferença total em relação à opinião alheia.

POLÍTICOS EM AÇÃO

A declaração do executivo da empresa, com a devida licença poética, cabe como mão e luva na conduta dos políticos, o que lhes confere sobejamente o epíteto de caras de pau, pelo cinismo como agem rotineiramente.

Eles, como ninguém, utilizam esse modo de encarar, sobretudo os comentários que lhes são adversos que sempre são atribuídos a intriga da oposição, o que não corresponde à realidade, pois muitos têm origem em problemas reais que afetam a população.

Políticos, mesmo havendo exceções, escondem sentimentos entre quatro paredes. Chegam a ficar furiosos, mas acabam se vingando com o desfrute das benesses e confortos proporcionados pelo poder sustentado pelo dinheiro público.

Millôr Fernandes, famoso intelectual brasileiro, já havia consagrado uma de suas célebres frases, em outro contexto:

“Viver bem é a melhor vingança.”

É essa a arma dos políticos a fim de não dar satisfação aos seus detratores.

Por isso, quando um político sorrir e vir até você e dar um tapinha nas suas costas, não se deixe enganar. Essa é uma forma de exercer o poder, mesmo que  por dentro ele esteja com outro pensamento.

Se você, leitor, identificar alguma semelhança entre o que foi escrito aqui com políticos de sua cidade, saiba que poderá ou  não ser mera coincidência.

Afinal, vivemos todos sob o teto dos mesmos hábitos impostos pelos políticos que, velhas raposas ou às vezes até alguns principiantes, têm o mesmo DNA correndo nas veias.

Eles precisam fingir que estão preocupados com a sua opinião e com suas críticas. (Carlos Rossini é jornalista)

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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