IBIÚNA – VALORIZAR O CIDADÃO DEVE SER ALVO PRIORITÁRIO DO PODER PÚBLICO
O chefe do Executivo e os parlamentares ibiunenses têm procurado exibir demonstrações de alto desempenho por meio de uma enxurrada de vídeos para impressionar a população.
Mas, se tivessem um aparelho para medir o semancol, poderiam verificar que nem sempre os efeitos desejados são atingidos, sobretudo porque as encenações performáticas não batem com a realidade.
Por isso, e insistimos que nosso propósito é ajudar e produzir uma harmonia entre os poderes públicos e as expectativas da população, apresentamos aqui tanto para o alcaide quanto para os edis uma sugestão: criar uma perspectiva de valor que sirva de referência para todos os atos que se inscrevam na rubrica que denominamos “interesse público”.
Como se sabe, tanto o prefeito quanto os vereadores contam com suporte jurídico para dar forma constitucional aos seus atos. Neste caso, bastaria uma vontade política para pôr em prática a medida que sugerimos a seguir.
O CIDADÃO COMO MEDIDA DAS COISAS
Nossa sugestão é, partindo tanto de um quanto de outro dos dois poderes, seja o Executivo ou o Legislativo, a criação de uma lei que possa inspirar todas as ações na valorização dos cidadãos, como elementos que definem a existência da cidade. Sua importância, portanto, é crucial!
Nossa premissa é simples e lógica: tudo que for feito visando valorizar o cidadão tem tudo para dar certo e gerar reciprocidade. Trata-se de uma espécie de bumerangue: se o que vai é bom, o que volta igualmente tende a trazer coisa boa.
Valorizar os cidadãos é tudo o que precisa ser feito tanto pelo Executivo quanto pelo Legislativo. Isso se traduz em um “conjunto de ações que promove a dignidade, a participação ativa, o reconhecimento da identidade cultural e a melhoria da qualidade de vida. A verdadeira valorização transforma moradores em sujeitos ativos na construção de um espaço urbano mais humano e democrático”.
ACESSO A SERVIÇOS BÁSICOS DE QUALIDADE
Em termos práticos e objetivos o escopo da atuação política e administrativa é assegurar o acesso universal aos serviços básicos, como educação, saúde, segurança e transporte como direito do cidadão. Temos isso qualitativamente?
Isso está sendo feito e garantindo dignidade sem discriminação dos cidadãos?
Outro tópico importante diz respeito a facilitar a participação política dos cidadãos na gestão municipal, permitindo que as leis e o planejamento urbano sejam construídos com base nos interesses dos moradores. Até que ponto esse quesito está sendo praticado?
A preservação da cultura local é uma forma de valorizar a memória dos cidadãos, por meio de incentivos diretos às práticas dentro das próprias comunidades. Isso inclui a valorização das histórias de gerações até o momento atual. Isso é feito por meio de projetos que humanizam a cidade e fortalecem os chamados laços de pertencimento e de autoestima.
QUALIDADE DE VIDA DA POPULAÇÃO
Outro aspecto considerável é a necessidade de melhorar a qualidade de vida da população, com o oferecimento de espaços públicos limpos, seguros e bem cuidados, pois esses são também o ambiente onde a cidade vive. Temos isto, até que ponto?
Nesse cenário imaginado de conferir valor ao cidadão, também compete às autoridades incentivar o engajamento cívico para combater a fragmentação territorial e a cultura da violência, criando uma “energia cívica”.
Por último, mas não menos importante, um projeto de cidadania como valor requer medidas com o objetivo de incentivar os próprios cidadãos cuidarem da cidade, assumindo o papel de zeladores do espaço público. Isso exige um esforço adicional, mas seus resultados serão notórios. Hoje, supostamente, essa ideia parece mais uma quimera por falta de sintonia efetiva entre o poder público e a cidadania.
Ao reconhecer o cidadão como valor, ele se torna protagonista da história local e garante que o desenvolvimento da cidade priorize o bem-estar das pessoas acima da lógica tradicional que se move por objetivos dispersos, fragmentados e, não raro, equivocados que, por isso mesmo, deixa a desejar habitualmente. (Carlos Rossini é jornalista, diretor da TVUNA e editor de vitrine online)
