OUÇA A D. ALZIRA, PREFEITO MÁRIO

Tenho acompanhado de perto o tormento da população ibiunense, mais uma vez, por falta de ônibus, e lido atentamente a profusão de comentários, sobretudo de pessoas mais simples e que vivem nas lonjuras dos bairros rurais.

Tá, o prefeito, sempre com seu vice a tiracolo, fez um vídeo mostrando a ousadia unilateral da Viação Raposo Tavares de reduzir, mais uma vez, linhas e itinerários da já insuficiente prestação de serviço de transporte público no município.

Anunciou triunfal a decisão do juiz da Comarca de Ibiúna determinando que a empresa retome, em 72 horas, todas as linhas que foram retiradas de circulação na quarta-feira, dia 16.

O prefeito também negou que tivesse deixado de pagar o repasse para a empresa e que estuda a possibilidade de fazer um “reequilíbrio contratual”, esperado pela viação, de um contrato firmado em 2019, em outro governo.

Escrevemos aqui, em outra página, que problemas criados por outros gestores não podem prosseguir nos tempos atuais e que a velha questão da qualidade do transporte público em Ibiúna precisa ser encarada e resolvida de modo competente, sob pena de “eternizar” um custo elevado de sofrimento da população.

FALTA DE RESPEITO

Então, caro prefeito de Ibiúna, se puder leia o que escreveu dona Alzira Machado, entre muitos manifestos da população. Uma escrita simples, direta e recheada de sabedoria popular. Pode ajudá-lo a se inspirar na humildade da voz do povo. Ela diz:

“Uma falta de respeito com nós usuários, [a Raposo Tavares] tirou o Ribeiros de domingo, reduziu outros bairros. Trabalhamos na agricultura, na roça. Aproveitamos o final de semana pra ir pra igreja, fazer mercado, agora isso aí. No dia da eleição, vão ter a audácia de por ônibus no domingo, aí não tem necessidade, não precisa também.”

P.S.: Ninguém está culpando o prefeito por esse acontecimento, mas é preciso que a autoridade a postos haja com a firmeza e a audácia que o presente desafio requer. (C.R.)

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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