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QUEM PRECISA DE UMA LISTA DE SENTIMENTOS PARA ENTENDER O QUE É SENTIR?

Imagine que alguém lhe dê uma lista de sentimentos para ajudá-lo a entender o que é sentir para se conhecer melhor e, assim, poder realizar mudanças positivas em sua vida, a partir de acontecimentos básicos e simples. Acha essa ideia uma bobagem? Pode apostar que não é. Um número muito grande de pessoas não consegue descrever o que está sentindo porque não dispõe dos instrumentos linguísticos indispensáveis [as palavras] para nomear substancialmente o que está se passando dentro de sua cabeça.

Uma regra fundamental no cenário terapêutico é exatamente isso: convencer os pacientes que eles podem mudar seus sentimentos, desde que saibam reconhecê-los em si mesmos e isso é considerado um fato revolucionário que abre a porta do renascimento para os indivíduos.  Mas esse princípio é válido para as pessoas em geral, mesmo as consideradas “normais”.

Recentemente – e como esquecemos rápido das coisas – os ibiunenses viveram um drama inédito na cidade: a perspectiva de um surto de meningite tipo “C”, a mais mortal entre as formas de doenças de origem meningocócica. Vitrine online atuou intensamente para prestar serviços de informações precisas à população. Um pouco antes, porém, com o mesmo propósito, publicamos os nomes de três servidores  no Hospital Municipal que deveriam ser procurado caso o munícipe sentisse algum tipo de dificuldade no processo de atendimento.

Uma senhora nos desarmou com uma pergunta rigorosamente inesperada: “O que é uma dificuldade?”. No primeiro momento, pensamos  se tratar de uma brincadeira da leitora. Mas não era, sua dúvida era autêntica e nos atingiu em cheio do quanto podemos ser incapazes de perceber as dificuldades de natureza cultural que assolam a maioria da população. É mesmo dura a realidade fora do mundo oficial responsável pela educação a partir do ensino básico. Se não sei o que é uma dificuldade é porque não estou entendendo uma situação que se parece complicada. Tentei esclarecer a leitora e expliquei como deveria proceder para resolver seu problema do momento.

A base dessa questão reside exatamente na escassez de palavras. Trocando em miúdos, quanto menos palavras e seus significados conheço maior minha pobreza expressiva. É simples: só podemos sacar dinheiro do banco se o temos lá em nossa conta, caso contrário ficarei na dureba ou só poderei retirar um pouco que está disponível. Se os meus depósitos mentais de palavras estiverem meio vazios ou apenas com um pequeno estoque será com isso que poderei contar. E esta é uma séria razão por que as pessoas se comunicam tão mal e até acabam sofrendo de uma “surdez verbal” por desconhecer o que as palavras querem dizer.

Vamos testar agora: quando alguém diz ou escreve “música silenciosa” está praticando um oxímoro. Agora veja, se não sei o que essa palavra quer dizer fico boiando. Música silenciosa não é uma coisa contraditória? Oxímoro significa exatamente isso que a frase é paradoxal. Isso foi apenas um exemplo, um tanto quanto exigente demais. Porque nossas necessidades diárias de relacionamento com os outros  não precisam incluir termos de uso pouco comum. Mas, é preciso saber empregar as palavras porque elas é que dão forma aos nossos pensamentos e podem revelar [para nós e para os outros] nossos sentimentos.

Quando estamos diante de um médico, ele vai necessitar da melhor descrição possível dos nossos sintomas [aquilo que estamos sentindo] para fechar um diagnóstico e prescrever o tratamento. Caso contrário, o doutor terá que usar muita imaginação para entender o que o paciente não consegue explicar.

O antigo ditado latino – “quem tem boca vai a Roma” – é uma forma sintética que revela a necessidade do bom uso das palavras para se chegar ao lugar que se pretende: seja remover uma dúvida, entender as aulas, construir objetivos, ordenar seus relacionamentos, organizar os pensamentos dentro de uma lógica compreensível e convincente.

Em suma, estudos importantes indicam que 95% do nosso sucesso profissional dependem da forma com que nos relacionamos com outros [por meio das palavras] e que esse percentual sobe para 99% em nossa vida familiar e social. Isso foi, pelo menos, o que indicou uma pesquisa realizada pela Universidade de Harvard com um público de dez mil pessoas.

E então, o que você está sentindo agora? Se a resposta for simplesmente “alegria” esse não é ainda um nível satisfatório de resposta, que poderia se dar da seguinte forma: “Estou me sentindo alegre porque na próxima semana iniciou em novo emprego e vou fazer o que gosto, num ambiente agradável.” Ou seja: quanto mais rica for a descrição do sentimento melhor é o conhecimento que você tem de si mesmo. Daí se sentir autoconfiante em suas inter-relações é uma conseqüência lógica e natural. (C.R.)

 

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