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PINÓCHIO CHEGA À “PÁTRIA EDUCADORA” E DESISTE DE ESTUDAR DE VEZ

Cada um de nós tem sua história de vida, com  recordações de escola agradáveis ou desagradáveis e de pais e professores que deixaram saudades ou mágoas. Ao ler a história de Pinóchio, por exemplo, constatamos que ele lembra com saudade do bom e velho Gepeto. O coitado era tão pobre que, para poder comprar-lhe a cartilha do abc, vendeu o próprio casaco. E, sem o casaco, o pobre homem vestia apenas uma camisa, e na rua estava nevando. Pinóchio, então, perguntou:

” E o casaco, pai?”
“Vendi-o”.  “Por que o vendeu?”  “Porque eu estava com calor”. Pinóchio, que entendeu tudo imediatamente,deu um salto, pulou no colo de Gepeto e começou a beijá-lo por todo o rosto.

Em seu primeiro dia de aula, a caminho da escola, com a sua nova cartilha embaixo do braço, Pinóchio, falando sozinho, foi dizendo: ” Hoje, na escola, quero aprender logo a ler, amanhã aprenderei a escrever e depois de amanhã vou aprender a matemática dos números. Depois, com o que aprender, vou ganhar uns trocados, e com os primeiros trocados que colocar no bolso, quero logo fazer um casaco de pano para o meu pai.”

Mas, na realidade, o que ele fez foi vender a cartilha para ir ao teatrinho de marionetes. Assim, enquanto o pobre Gepeto,em casa, em mangas de camisa, tremia de frio, Pinóchio se divertia no teatro de marionetes.
Hoje, em nosso país, milhares de crianças abandonam a escola. E, geralmente, não é por falta de dedicação dos professores e sacrifício dos pais. Múltiplos são os motivos: necessidade de trabalhar, escola distante de casa, falta de transporte escolar, escolas em péssimas condições e sem recursos, desvio de recursos da educação por políticos corruptos, etc.

Então, a presidente Dilma, ao iniciar o seu segundo mandato, alçou a educação à condição de prioridade máxima de seu governo. E, solenemente, bradou o pomposo lema “Brasil, pátria educadora.”

Pinóchio, lá no além mar, ao ouvir o brado retumbante da nossa presidente, desejoso de voltar a estudar, embarcou clandestinamente num navio e partiu rumo à Terra Prometida da Educação. Logo ao chegar, porém, descobriu que havia embarcado numa canoa furada, pois, ao invés de “Pátria Educadora” o que encontrou foi a “pátria do faz de conta”.
Foi só ele chegar que a presidente anunciou o corte de R$ 7 bilhões da educação. E, assim o seu sonho de voltar a estudar, foi por água abaixo.

Com o tempo, descobriu também que havia chegado à “pátria do mensalão e do petrolão” e do recorrente teatro de marionetes, cujos personagens, de tanto mentir, tinham o nariz mais comprido que o dele. E, a peça do momento intitulada “Ali Baba e os quarenta ladrões”, mostrava-lhe que, para ganhar uns trocados não era preciso estudar. Por isso, ele desistiu de vez de voltar
aos bancos escolares.

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Claudino Piletti é professor-doutor em Pedagogia e autor de vários livros. Gaúcho de Bento Gonçalves, reside em Ibiúna há longa data com a família.

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