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ARTIGO – FELIZMENTE PROFECIAS E PREVISÕES FALHAM, MAS O DILEMA DE DILMA É REAL

PalacioFelizmente profecias falham assim como tentativas de prever desfechos num cenário de incertezas. Feita essa ressalva preventiva, é oportuno dizer que o Brasil político – e econômico – está diante de uma bifurcação histórica crucial e que sintetiza um dilema: Dilma será apeada da suprema função que exerce na condição de presidente da República ou prosseguirá até o final do seu mandato? Melhor que permaneça e encontre compreensão e apoio da população para superar a crise que assola os brasileiros, mas o que ditarão os fatos e os personagens de um conflito que espalha fogo e fumaça em todas as direções?

Aparentemente, há dois motivos – juridicamente falando – que merecem especial atenção na qualidade de riscos reais à presidente: 1. o pedido de investigação criminal feito pelo ministro Gilmar Mendes ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre indícios de que a campanha de Dilma teria recebido dinheiro desviado da Petrobrás; 2. as pedaladas fiscais flagradas pelo Tribunal de Contas da União e que podem constituir improbidade administrativa.

Mas o que chama mais a atenção é a gritante incapacidade de a inteligência da equipe de governo, composta por luminares e estrategistas políticos, lidar – como se fossem momentaneamente principiantes – com os desafios diante dos quais se encontram e cometerem uma sequência de erros. Como propor o relançamento da Contribuição Provisória sobre Movimento Financeiro (CPMF) exatamente quando o prestígio popular de Dilma se encontra muito próximo do mais baixo degrau numa escala de 0 a 100 (talvez esteja entre 7 e 8)?

Sem caixa, o governo titubeia em antecipar o pagamento do 13º salário dos aposentados da Previdência Social, mas libera R$ 500 milhões para as emendas parlamentares, a fim de atrair a simpatia do Congresso Nacional.

A CPMF – instituída originalmente para obter recursos para a área da saúde em junho de 1999, se estendeu, com uma prorrogação até 2007, sendo extinta em janeiro de 2008 por decisão do Senado Federal que brecou o que seria uma nova prorrogação aprovada pela Câmara Federal. No período em que vigorou terá produzido uma arrecadação total de R$ 201,2 bilhões. Essa é a razão pela qual o Governo Federal se mostra ansioso em apostar na reedição dessa ideia que já tem adversários ferrenhos, como o próprio vice-presidente da República, Michel Temer, que deixou a função de articulador político de Dilma.

Com inflação alta, juros irritantes, aumento do desemprego, economia travada, aumento generalizado dos preços aos consumidores, desconfiança dos investidores, medidas do ajuste fiscal enfiadas goela abaixo de milhões de pessoas, como será possível ao governo conquistar a necessária confiança imprescindível nessas horas em que o país mais precisa de calma? Como o governo espera fazer caixa sem provocar ferimentos profundos na carne dos brasileiros?

Lula acaba de anunciar que está disposto a se candidatar para concorrer à Presidência em 2018, caso isso seja necessário, para impedir a vitória da oposição. Será que o ex-presidente está conseguindo enxergar com clareza as mudanças ocorridas no país, depois que a própria presidente Dilma Rousseff admitiu que demorou para perceber que havia uma crise em curso – e tendo tomado a direção oposta ao que prometera na campanha eleitoral? Lula pode continuar se achando um todo-poderoso, como deixa transparecer? Num ponto, contudo, é preciso pensar: o que é a oposição no Brasil? Terá ela, de seu lado,  se vencer as eleições, o poder e a competência ética e moral exigidos como remédio para curar um mal que está enraizado na cultura política nacional?

 

Carlos Rossini, autor deste artigo, é jornalista e editor de vitrine online

 

 

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