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PONTO DE VISTA – O POLÍTICO SEM QUALIDADE

luz no fim do túnelSe em vez de ocupar cargos nos Legislativos e Executivos municipais, estaduais e federais estivesse trabalhando em empresas privadas, a maioria dos políticos brasileiros já teria sido demitida ou enviada de volta para a escola ou expedida para frequentar organizações especializadas em reciclagens por imersão intensiva e reaprendizagem.

A razão é simples: falta ao político – supostamente à maioria – qualidade para estar à altura do que se propõe a fazer. Isso inclui uma rasura cultural de vasto espectro: falta de visão, de alfabetização funcional adequada e de conhecimentos indispensáveis para o exercício de relações sociais produtivas, imaturidade ética, liderança pseuda e pífia, incapacidade suasória, despreparo técnico, filosófico, sociológico, político, etc.

A diferença básica entre os dois ambientes de trabalho é que no serviço público não se exige assegurar o lucro, que é vital para o empreendimento privado, sob ameaça permanente de se comprometer a sobrevivência do organismo empresarial. Neste momento, vivemos uma situação típica: os recursos foram esgotados? Simples: criam-se impostos, reduzem-se os serviços à população. O povo, ora, o povo! Dê a ele “brioches”.

O mundo empresarial conhece a cultura da excelência e da necessidade de sua busca de modo permanente [fala-se há décadas de qualidade total], o exercício de boas práticas, de inovações e de melhoria de resultados proporcionados aos clientes [ao mercado competitivo, na verdade]. Mas, por favor, uma lanterna ou uma lupa, pois desejo encontrar políticos que saibam ou pratiquem esses atributos. Povo não é cliente, mas objeto de exploração, fonte de renda.

De modo simplificado, qualidade é “jeito de ser”, característica, propriedade, atributo que distingue algo, alguém ou alguma coisa de outra. E é relativamente fácil observar que há diferença entre uma coisa boa e uma coisa ruim, assim como uma pessoa cujo caráter é limpo e outra que apresenta jaça. Procuram-se políticos sem jaça!

Falamos em busca de excelência há pouco. A palavra tem origem no Latim. Significa ‘grandeza, elevado, superior, muito bom’. Quantos políticos podemos adjetivar de bom, hoje em dia? A palavra excelência era tratamento conferido aos imperadores e aos príncipes de sangue [hereditários], na Antiguidade.

A origem do termo excelência tem fundamentos religiosos cristãos. O ser humano, considerado como realidade natural mais elevada, “modelo da própria realidade divina” e, portanto, dignus [digno]. Assim, o ser humano e o político de qualidade seriam aqueles que merecem estima e honra, aqueles que são importantes pelo cargo que ocupam e, sobretudo, pela forma como o desempenham.

A locução “qualidade de vida”, citada em profusão pelos políticos em suas promessas de campanha, se originou na década de 1940, como uma busca ideal, em face do sofrimento cruel imposto pela 2ª Guerra Mundial, na Europa. Antes disso, na década de 1930, já se falava em “controle de qualidade”. Isto é: garantir que as coisas sejam produzidas com qualidade assegurada.

No mundo empresarial esse conceito se tornou quase um dogma, mas no mundo da política passa ao largo da realidade e, como pretendemos mostrar, pouquíssimos políticos presumivelmente seriam aprovados em um teste de controle de qualidade. Lamentavelmente.

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Carlos Rossini é jornalista e sociólogo, editor de vitrine online, e apresentador do programa “O repórter da cidade”, exibido toda quarta-feira, ao vivo, pela TV Ibiúna.

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